segunda-feira, 15 de junho de 2020

MALTI, O AMALDIÇOADO


Conto inspirado em Malti Dedoságeis, halfling (agora em Tormenta 20 chamados de hynne) de muitas classes (bardo principalmente), criado por Walter Mansolelli Neto. Reza a lenda que esse conto é baseado em fatos reais.

Na famosa taverna de Nova Malpetrim, O Polvo Canhoto, um grupo de aventureiros senta ao redor da mesa mais visível possível. O local, todo ocupado por exploradores e viajantes das mais diversas raças, nota a presença deles, não por serem aparentemente poderosos ou portarem vestes chamativas, mas sim por estarem carregando uma bolsa tilintante de moedas maior do que um rato atroz. A forma como agitavam o dinheiro e sorriam orgulhosamente deixava bem claro que eram novatos. Estavam orgulhosos de sua primeira recompensa e não tinham o menor desejo de esconder isso.
De qualquer forma, logo a rotina da taverna retornou e os aventureiros deixaram de ser o centro das atenções. Eles chamaram a atenção de um goblin que ajudava a servir as mesas e pediram tudo o que tinha no menu, afinal, meses na estrada caçando kobolds até uma caverna oculta onde os monstrinhos cultuavam Kallyadranoch, era uma tarefa que merecia boa comida como recompensa.
Foi então que, interessada, uma kliren – para os que não conhecem, uma raça parecida com gnomos altos e esguios – cheia de parafernálias tecnológicas de cobre enroscadas pelo corpo se aproximou fazendo as devidas apresentações e perguntou sobre a empreitada que resultou na larga recompensa. Entre os aventureiros havia um ladino que fez questão de contar tudo com muita empolgação, mas a kliren não se deu por satisfeita. Queria saber como uma tarefa tão simples rendeu tanto tesouro.
Eles explicaram que foi um hynne chamado Malti que forneceu a dica. Ele parecia ser uma espécie de investigador aposentado que estava cansado de pôr o pescoço em risco por qualquer tarefa. Quando a kliren perguntou mais sobre esse Malti, o grupo pareceu ofendido com a ignorância dela e o ladino se pôs logo a contar uma das peripécias vividas por Malti...
“HÁ! Malti deve ser um dos maiores investigadores de Arton, mas por ser um azarado sempre acaba chamando menos atenção que outros por aí! Ele mesmo reclama sobre a própria maldição de conseguir as piores companhias para aventuras possíveis! Por causa disso ele acabou aposentando a carreira e se tornou uma espécie de consultor ou sei lá o quê... Eu já ouvi uma das histórias sobre ele que aconteceu há mais de dez anos atrás!”
“Pelo que me contaram, havia uma espécie de bruxa nas terras de Portsmouth que desejava vingança contra alguma cidade de lá ou coisa assim! O Malti tinha faro pra esse tipo de coisa e se envolveu no caso, mas não demorou muito para a maldição dele começar a agir! Ele passou a ser acompanhado por um monge e um necromante, só que assim que se depararam com um monte de esqueletos antes de chegarem a cidade, ele descobriu que o monge não acertava um maldito golpe e que o necromante lutava de faca indo pra cima dos monstros! Há! Há! Há!”
O ladino caía de gargalhar junto com o grupo e a kliren começou a se cativar pela história, puxando um banco pra perto da mesa.
“Já na cidade, depois de alguns dias de eventos insanos dentro da cidade em busca da bruxa...”
O ladino não conseguia continuar, pois o grupo gargalhava muito alto e até mesmo a kliren ria por antecipação.
“Parem! Parem! Deixem eu contar pra ela... Resumindo, o monge acabou preso! E o necromante mudou pro lado da bruxa!!!”
Mais gargalhadas.
“Ainda não acabou! Esperem, esperem... A história segue e Malti conseguiu novos companheiros, uma devota da espada-deus e um mago ou feiticeiro, sei lá, era conjurador arcano! Enfim! A devota da espada-deus nem era lá má companhia, mas o problema era que ela era toda certinha e não mentia então acabava pondo em risco toda a investigação! Já o mago...”
Ele fez uma pausa para conseguir retomar o fôlego e ansiosa a kliren perguntou o que aconteceu com o mago.
“Ele morreu!”
Por mais triste que fosse o acontecido, era impossível não rir do azar de Malti.
“No final, meio que o grupo conseguiu ajudar a cidade, eu acho, mas eles ainda tinham que caçar a bruxa e o Malti ficou sozinho de novo. Ele estava pensando em desistir e foi quando mais um aventureiro apareceu pra se unir a missão dele. Um guerreiro que resolvia tudo com as espadas. Pouco cérebro sabe? Foi aí que me contaram que o mistério todo girava em volta de uma espada amaldiçoada mágica. O Malti e esse guerreiro chegaram na espada para tomarem ela da bruxa, mas... Eu juro que não estou mentindo... Mas eles não contavam com um ataque de um monte de demônios da Tormenta que cagou a missão toda! O guerreiro acabou destruindo a espada amaldiçoada, acabando com qualquer chance do Malti investigar pra que ela servia e o que a bruxa queria com ela!”
Risadas aos montes. A kliren quase gritava sobre o que aconteceu com a bruxa.
“Ela conseguiu escapar!”
Foi a gota d’água. Nesse momento, até aqueles que estavam ouvindo a história discretos em suas mesas caíram na gargalhada.
“Concluindo, concluindo... O Malti acabou seguindo sozinho porque o guerreiro se atirou no meio das criaturas da Tormenta igual um suicida! Reza a lenda que no final da história a cidade foi salva, mas que quase pouca gente sabe sobre ter sido o Malti o responsável por isso! Há! Há! E fim! Bebidas pra todos por minha conta!”
A gargalhada era geral e a kliren conseguiu se inserir no grupo oferecendo seus serviços de inventora. Outros grupos nas demais mesas começaram a contar mais histórias de aventureiros amaldiçoados por Nimb, o Deus do Caos.
Será que você aí também não tem uma história dessas para contar?

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