Conto
inspirado em Malti Dedoságeis, halfling (agora em Tormenta 20 chamados de hynne)
de muitas classes (bardo principalmente), criado por Walter Mansolelli Neto.
Reza a lenda que esse conto é baseado em fatos reais.
Na famosa taverna de Nova
Malpetrim, O Polvo Canhoto, um grupo de aventureiros senta ao redor da mesa
mais visível possível. O local, todo ocupado por exploradores e viajantes das
mais diversas raças, nota a presença deles, não por serem aparentemente poderosos
ou portarem vestes chamativas, mas sim por estarem carregando uma bolsa
tilintante de moedas maior do que um rato atroz. A forma como agitavam o dinheiro
e sorriam orgulhosamente deixava bem claro que eram novatos. Estavam orgulhosos
de sua primeira recompensa e não tinham o menor desejo de esconder isso.
De qualquer forma, logo a
rotina da taverna retornou e os aventureiros deixaram de ser o centro das
atenções. Eles chamaram a atenção de um goblin que ajudava a servir as mesas e pediram
tudo o que tinha no menu, afinal, meses na estrada caçando kobolds até uma
caverna oculta onde os monstrinhos cultuavam Kallyadranoch, era uma tarefa que
merecia boa comida como recompensa.
Foi então que,
interessada, uma kliren – para os que não conhecem, uma raça parecida com
gnomos altos e esguios – cheia de parafernálias tecnológicas de cobre enroscadas
pelo corpo se aproximou fazendo as devidas apresentações e perguntou sobre a
empreitada que resultou na larga recompensa. Entre os aventureiros havia um
ladino que fez questão de contar tudo com muita empolgação, mas a kliren não se
deu por satisfeita. Queria saber como uma tarefa tão simples rendeu tanto
tesouro.
Eles explicaram que foi
um hynne chamado Malti que forneceu a dica. Ele parecia ser uma espécie de
investigador aposentado que estava cansado de pôr o pescoço em risco por
qualquer tarefa. Quando a kliren perguntou mais sobre esse Malti, o grupo
pareceu ofendido com a ignorância dela e o ladino se pôs logo a contar uma das
peripécias vividas por Malti...
“HÁ! Malti deve ser um
dos maiores investigadores de Arton, mas por ser um azarado sempre acaba
chamando menos atenção que outros por aí! Ele mesmo reclama sobre a própria
maldição de conseguir as piores companhias para aventuras possíveis! Por causa
disso ele acabou aposentando a carreira e se tornou uma espécie de consultor ou
sei lá o quê... Eu já ouvi uma das histórias sobre ele que aconteceu há mais de
dez anos atrás!”
“Pelo que me contaram,
havia uma espécie de bruxa nas terras de Portsmouth que desejava vingança
contra alguma cidade de lá ou coisa assim! O Malti tinha faro pra esse tipo de
coisa e se envolveu no caso, mas não demorou muito para a maldição dele começar
a agir! Ele passou a ser acompanhado por um monge e um necromante, só que assim
que se depararam com um monte de esqueletos antes de chegarem a cidade, ele
descobriu que o monge não acertava um maldito golpe e que o necromante lutava
de faca indo pra cima dos monstros! Há! Há! Há!”
O ladino caía de gargalhar
junto com o grupo e a kliren começou a se cativar pela história, puxando um
banco pra perto da mesa.
“Já na cidade, depois de
alguns dias de eventos insanos dentro da cidade em busca da bruxa...”
O ladino não conseguia
continuar, pois o grupo gargalhava muito alto e até mesmo a kliren ria por
antecipação.
“Parem! Parem! Deixem eu
contar pra ela... Resumindo, o monge acabou preso! E o necromante mudou pro
lado da bruxa!!!”
Mais gargalhadas.
“Ainda não acabou!
Esperem, esperem... A história segue e Malti conseguiu novos companheiros, uma
devota da espada-deus e um mago ou feiticeiro, sei lá, era conjurador arcano!
Enfim! A devota da espada-deus nem era lá má companhia, mas o problema era que
ela era toda certinha e não mentia então acabava pondo em risco toda a
investigação! Já o mago...”
Ele fez uma pausa para
conseguir retomar o fôlego e ansiosa a kliren perguntou o que aconteceu com o
mago.
“Ele morreu!”
Por mais triste que fosse
o acontecido, era impossível não rir do azar de Malti.
“No final, meio que o
grupo conseguiu ajudar a cidade, eu acho, mas eles ainda tinham que caçar a
bruxa e o Malti ficou sozinho de novo. Ele estava pensando em desistir e foi
quando mais um aventureiro apareceu pra se unir a missão dele. Um guerreiro que
resolvia tudo com as espadas. Pouco cérebro sabe? Foi aí que me contaram que o
mistério todo girava em volta de uma espada amaldiçoada mágica. O Malti e esse
guerreiro chegaram na espada para tomarem ela da bruxa, mas... Eu juro que não
estou mentindo... Mas eles não contavam com um ataque de um monte de demônios da
Tormenta que cagou a missão toda! O guerreiro acabou destruindo a espada
amaldiçoada, acabando com qualquer chance do Malti investigar pra que ela
servia e o que a bruxa queria com ela!”
Risadas aos montes. A
kliren quase gritava sobre o que aconteceu com a bruxa.
“Ela conseguiu escapar!”
Foi a gota d’água. Nesse
momento, até aqueles que estavam ouvindo a história discretos em suas mesas
caíram na gargalhada.
“Concluindo,
concluindo... O Malti acabou seguindo sozinho porque o guerreiro se atirou no
meio das criaturas da Tormenta igual um suicida! Reza a lenda que no final da
história a cidade foi salva, mas que quase pouca gente sabe sobre ter sido o
Malti o responsável por isso! Há! Há! E fim! Bebidas pra todos por minha conta!”
A gargalhada era geral e
a kliren conseguiu se inserir no grupo oferecendo seus serviços de inventora.
Outros grupos nas demais mesas começaram a contar mais histórias de aventureiros
amaldiçoados por Nimb, o Deus do Caos.
Será que você aí também
não tem uma história dessas para contar?
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