Esse
conto se trata de uma matéria da Gazeta do Reinado, um trecho do jornal mais
famoso do mundo de Arton. Ele foi inspirado por Arone Vento-Uivante, um ladino
de Rafael Figueiredo.
Ah... O Ladino. Conhece?
Não? Eu duvido! Em algum momento da sua vida você, com toda certeza, cruzou com
um. Talvez não saiba que ela era um ladino e isso significa que ele era um dos
bons. Em grupos massivos de heróis poderosos espalhados por toda Arton, poucos
são bem-sucedidos em suas empreitadas sem um desses ao seu lado.
O motivo? Simples! O
ladino é um sobrevivente. Acha que um patrulheiro das florestas ou um druida
são mais focados nisso? Sinto muito, mas está um pouco enganado. Chegam
momentos na vida dos dois onde poderes místicos envolvem suas capacidades ou
eles ganham ajuda de criaturas poderosíssimas.
O ladino não. Porque se
ele for místico demais, chama a atenção demais, se ele for acompanhado, terá dificuldades
em fazer a companhia dar conta de se mover no ritmo dele. Mesmo em um grupo
grande, o ladino está solitário e precisa contar sempre com isso para
sobreviver. Munido de armas pequenas, armaduras frágeis, uma quantidade contada
e limitada de artimanhas e ferramentas, sua maior qualidade está nas suas
habilidades e na esperteza com que usa elas.
Existem exceções? É claro
que existem, afinal um ladino pode seguir para muitos caminhos diferentes, mas
normalmente quando faz isso, limita uma de suas maiores qualidades: a
versatilidade.
Discorda? Então me diga
você como é possível alguém tão mundano, estar cercado de aliados que invocam
poderes divinos e arcanos estrondosos, estar cercado de ameaças cósmicas e destruidoras
de planetas, mas ainda assim, ser essencial em um grupo e o responsável pela sobrevivência
dele em incontáveis vezes.
Falo com propriedade. Essa
matéria é sobre como conheci um.
Pessoalmente fui até sua
antiga casa, aqui mesmo em Valkaria, onde ele aprendeu o básico antes de se
tornar o que eu considero o maior ladino de Arton. Sim, eu sei que ele é um
ladino, mas todos de Valkaria sabem. O amigo arcano dele fez questão de torná-los
bem famosos depois de terem libertado Valkaria.
Arone Vento-Uivante é seu
nome e devo dizer a vocês que conhecê-lo foi... Mundano. Eu sei que estou
falando de um Libertador, mas quando entrei naquelas ruínas de uma guilda de
ladinos velha e abandonada, seguindo a orientação de um contato, e vi Arone em
pé, olhando mais para as lembranças daquele lugar do que para o lugar em si,
foi como ver um jovem adulto, de não mais que 23, 24 invernos, simples, esguio
e nitidamente ameaçador é claro, como a maioria dos aventureiros, mas nada além
disso.
Pedi alguns instantes com
ele. Tinha um olhar vazio, do tipo que já viu muita coisa e não tinha um deus
ou um demônio para protegê-lo de tudo aquilo. Era só ele. Fiz perguntas sobre a
jornada de sua vida. As repostas foram inesperadamente simples:
·
Ele aprendeu a ser ladino na guilda Vento-Uivante
que foi queimada e destruída por ele ter se envolvido com um assalto que iria
ferrar com um nobre de Valkaria corrupto.
·
Se uniu aos futuros Libertadores, quase
sendo morto por um deles, graças as suas habilidades.
·
Foi preso e obrigado a lutar na batalha do
Forte Amarid, onde foi morto.
·
Ressuscitado pelos deuses à pedido de seus
demais companheiros, rapidamente se envolveu com a Libertação de Valkaria.
·
Dentro dos desafios da estátua que
aprisionava a deusa, foi envenenado, explodido, assassinado, afogado,
amaldiçoado, transmutado e aprisionado por magia inúmeras vezes. Foi de longe o
membro da equipe que mais precisou ser ressuscitado pelo poderoso clérigo do
grupo.
·
O faziam ir na frente, investigar primeiro,
reconhecer as ameaças e até mesmo tentar lidar com elas sozinho, antes da
equipe se envolver diretamente.
Eu me perguntava,
conforme ele respondia, se ser um ladino não estava diretamente relacionado com
algum senso de autodestruição ou suicídio.
Ele me contou que quando
teve medo de seguir na frente, foi coagido pelo grupo a fazer isso. Eu perguntei
a ele o motivo de ter concordado com esse absurdo, mas ele calmamente me
respondeu:
– Era minha função... É o
que ladinos fazem...
Cercado por um clérigo e
um arcano extremamente poderosos, uma guardiã da realidade de Valkaria e um
guerreiro que atacava tão rápido quanto um relâmpago, eu apenas me questionava
como Arone tinha coragem para continuar.
Ao perguntar para ele, as
respostas eram tão mundanas quanto a de qualquer um. Era o trabalho dele.
Alguém tinha de fazer.
Eu sei que a maioria dos
fãs dos Libertadores admiram muito os demais heróis e poucos reconhecem Arone,
mas deixo aqui minha declaração final:
Se existe um herói que
realmente represente o povo comum, os humanos de Valkaria e de todo o Reinado,
esse é Arone, pois mesmo sendo tão mundano quanto qualquer um de nós, cumpriu
seu dever do começo ao fim, sendo motivado apenas por algo que ele mesmo não
quis dizer.
A Ambição Humana.
– Will Bummer; Seção:
Humanos de Valkaria

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